Ondas

O mar bate no cais 
Uma noite mais.
As ondas se chocam com a madeira
E os navios chacoalham suavemente
O reflexo na Lua fica claro na água, iluminando o mais simples navio.
De madeira, sem tinta, com remos. Moldado aos esforços.
Longe de ser perfeito. Mas infalível. 
Infalível pois seu caminho nunca pode ser repetido.
Infalível porque seu combustível parte apenas do coração daquele que o rema.
As vezes os remos são retirados da água.
As mãos tem de deixar os remos para agarrar ao mapa e ver se o destino é certeiro.
A preocupação em se perder é grande. Pois apesar de infalível o barco não conta com nada mais.
Sem luzes. Sem Timão, Sem Búzio.
Mas ele tem uma vela. Raramente aberta. Branca. Remendada.
Funciona. O vento a toca suavemente assim que aberta. Levando o navio para um caminho incerto.
Mas que dá tempo à sua tripulação descansar e se lembrar do porque ali estão.
E então. O que resta? 
Tudo.
O mar por si mesmo. A lua, o vento. A espuma passando pela água.
As estrelas que brilham e nos fazem lembrar de como chegar na orla que nos abraça.
O som da madeira rangendo volta.
E você se lembra que o úmido do mar ainda está a sua volta.
Porque será que aquele navio ainda está lá? Naquele cais? Porque? Porque alguém guardaria um barco tão antigo?
Por tudo o que foi dito ora.
Lembranças? Nostalgia?
Não, não. Não. 
Definitivamente não.
Porque no fundo o próprio cais sabe. Que aquele navio nunca deixará a água. 
Que ele mesmo à sua maneira. Merece passar pelos 7 mares, pelos oceanos, até mesmo pelos lugares cujos só há terra.
Do atlântico até a Alemanha.
Numa busca arriscada por um destino certo. Um lugar que tem nome. E como tem.
Sabe que ele vai aguentar as tormentas, as tempestades ou o Sol.
Ahhhh o Sol.
Que esquenta tudo, seja o navio ou o próprio mar.
Talvez seja um privilégio desse cais. 
Poder ver tanto a noite quanto o dia.
Quero ir a um cais assim.
Quero ver esse horizonte de perto. Seja com seus tons de vermelho, amarelo.
Castanho. Marrom. Preto. Eu quero poder sentir a brisa do mar de novo. 
Quero que ela envolva meu corpo.
Não tenho duvidas que chove. E como chove num lugar desses. 
Mas é impressionante como isso pode acontecer mesmo quando não há nuvens no céu.


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