Uma saída não tão repentina
Na esperança que ela saia, eu vos escrevo este texto. Um mero passatempo enquanto aguardo. Ela sempre demora tanto, mas quase sempre sai, as vezes, sai quando eu quero que ela saia. Mas também me ocorre muito a saída dela, mesmo quando eu a queria aqui, relutantemente fico contente por isso, mas nessa mesma proporção repentinamente fico triste.
Parece que nesse tempo de espera, todo o ambiente fica mais silencioso, um silêncio perturbador, onde é possível ouvir até mesmo o som de uma folha se arrastando pelo chão. Parece que o mundo ao meu redor se distorce, se molda a ficar cada vez mas incômodo para aqueles que estão parados, parece que quanto mais tempo imóvel se fica, mais se intensifica a tempestade de tremidos e vibrações. Parece que constantemente se está esperando, ansiando, queimando por dentro uma energia que surge do nada, uma angústia, como se agora, novas vontades precisassem de ser cumpridas, que novas perguntas sejam feitas, mesmo que já se tenha a resposta em mãos.
Quem me dera essas palavras fossem cuspidas ao vento, talvez assim, elas ainda ficassem ecoando no ar, martelando esses momentos. Porém, enquanto eu me perco nestas mesmas palavras pairando ao ar deste balão de expectativas e dúvidas, logo percebo, que hoje, ela não saiu.



Comentários
Postar um comentário